terça-feira, junho 20, 2006

algures perto...

Há um tempo próprio para cada acto premeditado. Aliás, para que o seja, é imprescindível um percurso. É nele que me debruço.

Apoiado na ponta dos pés entorpecidos, vou deslizando a irregularidade de um corpo, com o intuito volátil de chegar mais lá dentro, e de por lá pernoitar como nos primórdios, onde era acessível resumir tudo ao seu tamanho.

Na ponta dos pés há um fosso gigante entre o real ao rubro e a realidade ficcionada.

E assim que aprendamos a estender sem receio a planta dos pés pelo chão, e se o fogo em ascensão ainda se alimentar de sonho e coisas menos vagas, talvez que o significado dos gestos mude irremediavelmente a forma como nos olhamos, e ao mundo.

e que repetidamente se faça primavera no nosso inverno, e ao contrário.

sábado, junho 10, 2006

(in)sinu(o)so




há alguma coisa que se insinua

eu, insinuo-me

como se por entre chuvas primaveris o sol exalasse um outro calor

que exala!!

do pátio abstracto




já não restam dúvidas.

a rua que se trilha só faz sentido se for com a força toda.



(aprendo a andar sem olhar para o chão)

quarta-feira, agosto 17, 2005

andanças 2005




meus caros!, nem mais: andanças.
há coisas que nos marcam e às quais somos gratos...
ei-las! vai uma dança?
trocamos o fumo e o desencontro por pesoas.
há como que um espirito missionário (não confundir com a posição)
na expressão muito própria de cada um deles, (e agora ponho-me
de fora) como se todos tivessem (que têm) coisas para dizer uns
aos outros. conscientes ou não de que para lá de tudo o que os
afasta da terra haja ainda tanta coisa por desbravarem em unissono.

alguém dança com uma perna enlaçada no tempo certo
e a outra a procurar descompassos
ambas nesse mesmo ritual de coreografar musica
de por momentos pairar no ar o cheiro leve do indizível


era vê-los em improvisos arregalados à volta d'uma raiz
extranhamente acesa, como se fossem muitas raizes. e mais improviso, e vinho, e maria, muita maria, muito de fujir com quotidianos que
se repetem, e aprender, aprender a olhar à volta e ser como que uma
familia grande que todos sonham, aprender que é bom ter coisas, e pessoas com quem partilha-las, aprender que todos juntos somos sempre mais fortes. SEMPRE!


andar na dança do boémio eremita
andar no que se vai soltando em regorgitos involuntários
andar andando
dançando
suavizando o ermo
endurecendo o volátil
mas sempre livre
sempre à boleia de vinho
e maria
e amor
e outras coisas limpas
e outros tóxicos

mas tudo muito musica
tudo apartir de muito pouco
(vulgo improviso)
a chegar sempre mais acima
sempre mais lá dentro


e havia o Marco (saudoso ermano anacoreta) no seu jeito
muito próprio de os agarrar às suas histórias, de os por
a eles mesmos a conta-las.(outra altura escrevo sobre ele - merece!)
e de novo a musica, "kum pañia al gazarra" "mu" e mais tantos que é
quase impossivel fixar o nome... e na verdade isso pouco importa!

andar na timidez do próprio passo impreciso
com as mãos soltas a plagiar o olhar muito vivo
ou viçe-versa


foi a forma que arranjei para brindar o andanças. tudo seria
inevitavelmente pouco. há coisas que só mesmo o nosso sangue reenventa.
obrigado sangue. eu sei que também danças! (an)

quarta-feira, julho 27, 2005

quantic soul orchestra

quantic soul orchestra




aí vai...
"pushin'on"(2005)
eis um album onde o que se ouve atravessa o que de bom se (fez) faz com as sonoridades funk

e agora que já aprendi a postar fotografias (parto dificil este!), vou andar mais por aqui... vai haver mais musica para os nossos sentidos...

"a vida sem musica é simplesmente um erro, um cansaço, um exílio." nietzsche

até breve...

segunda-feira, junho 20, 2005

IMAGINARIUS (ainda que um tanto atrasado)





fujo à temática porque apetece fujir.

acabo de chegar do "imaginarius", dose de subversão em jorros
a entrar pelo corpo a dentro (eis a minha defenição!)
ali come-se com tudo. não de tudo.
ainda tenho muito vivo os cerca de 50 "marcianos"
suspensos num OVEI (objecto voador enfim identificado)
a coreografarem o céu de corpos em linguagem espacial,
e o som, a surpresa dos olhares levantados e muito acesos.
enfim... são os "LA FURA DELS BAUS", companhia subejamente
(re)conhecida, vinda da terra onde Gaudí sussurou as paredes altas,
e onde as putas continuam a pulvilhar a noite de sexo. Gaudí também não parou. é. Barcelona Fervilha de artistas. Santa Maria da Feira fervilhou.borrones (não é certo que seja mesmo isto) melhor: palhaços, como falou o LeoBassi após a sua entrada numa pick-up papal e lacónica, simulando(não na subversão do humor) a figura representativa de uma instituição que condena e castra... e o tosta mista malabarista, e mais os outros que não me lembro o nome...
por aqui (quer dizer:por lá) toda a hipocrisia é causticada sem grandes rodeios,
e eu, que não sou grande apreciador de ópio, continuo com muito sono.
deixo-vos então o gostinho e (pela adesão) a certeza de para o ano
lá nos encontra-mos num dos muitos sítios por onde anda o festival.

para que não restem duvidas: IMAGINARIUS (aconcelho o exercicio)

quarta-feira, junho 15, 2005

está cinzento? arco-iris


atrás da rua amarela, anda um azul bêbado pela rua preta...
passeiam também uns verdes carnivoros, que não compreendem
a loucura dos brancos que não são cal ou coca, mas que aproveitam
ambas e ainda apanham os restos do bordot que gosta de festa...

quinta-feira, maio 19, 2005

fechem o portas, não as portas!



paulo portas cruza-se às portas do chiado com a sua mui querida maezinha.
alguém diz: ela hoje está uma bomba!
eis que, dois jovens preplexos passam naquele instante (não se percebendo bem se a preplexidade vem da mãe do portas, se vem do próprio portas ou se vem do brlit (leia-se charro; melhor: cigarro de axixe) que partilhavam!)
um deles grita: explode; explode; explode...
testemunhos locais afirmam a pés juntos que aquilo não era um charro... (ups...agora já disse!) era erva!
um dubaense, (individuo do dubai) lá ia dizendo aos rapazes que se aquilo tivesse sido na terra dele, já estava tudo preso.
entretanto alguem teve que agarrar o jovem que nesse instante já estava a tentar queimar a mãe do portas, alucinado com a ideia de que ela era mesmo uma bomba. (era da boa, sem duvida!)
de novo o dubaense: por acaso não têm por ai uma pedra que possam dispensar?
testemunha: não é pedra. é erva!
vira-se um afro que passava nesse instante por ali: não ves que isso é leamba? não percebes isso pelo cheiro?

eis que chega um policia extremamente nervoso, contorcendo o nariz como se ele mesmo acabasse de cheirar alguma coisa. - já andam por ai a falar de explosões e atentados...

o dubaense avisa logo que o charro não é dele e que só está ali de passagem.

os dois jovens, mechem apressadamente no tabaco de enrolar, na tentativa de disfarçar o cheiro.

o afro ri-se.

paulo portas já à muito que estava a bater continência.

o policia continua nervoso e diz-lhe que aquilo ali não é nenhum circo. (deduzo que lhe tenha chamado palhaço!)

todos aplaudem!

eis que a mãe do portas exclama: serei mesmo uma bomba?

vai o policia: com que então voce é que é a bomba!? vamos lá então perceber o estado da sua gravilha...

vai o portas já muito nervoso: olhe que está a falar com a minha maezinha!; não se esqueça que eu sou uma pessoa influente!

o primeiro tiro sái direitinho às pernas do portas. (todos riem e aplaudem efusivamente!)

alguém grita: o bofia tá doido!

todos fogem.

quer dizer, todos menos o portas que no meio da confusão ainda ia levando uns chutos prepositados nas pernas.

o bofia aproveita e ensaia também ele um remate às pernas do portas.

são 5 da tarde em lisboa. o chiado volta à normalidade.

moral da história: cá se fazem, cá se pagam!

citação (im)pessoal e despretenciosa a uma brlogguer... quer dizer:blogger!!

o empírico salto que dei para dentro de uma ave um tanto perdida nas ruas da cidade surda, ainda me deixa a descoberto uns quantos lanhos cirúrgicos.
hoje, a primeira coisa que fiz, foi lavar a cara; em seguida fiquei largos minutos com a respiração suspensa e a tentar vociferar algo... a unica coisa que saíu, foi: não é que a gaja me ceifou literalmente nacos de carne da cara!!! - assim mesmo tudo junto e de uma vez!!
como é de imaginar, acordei aos gritos!! e menos mal... estava a dormir... e é então que reparo que ao meu lado estão umas unhas gigantes e desproporcionais entaladas nas mãos de uma deusa de alguma coisa que ainda está para vir!... (rrr)
mas tudo em mim é sono, meu deus, tanto sono!